Eu tinha rasgado o mapa. Naquele dia, achei que aquilo bastaria. Foi por impulso, mas aquela cidade me causava medo. Ao mesmo tempo, alguma coisa ainda me atraía para dentro dela. Era uma providência razoável: sem mapa, sem caminho; sem caminho, sem retorno. E havia o medo. Muito medo. Foi uma decisão tomada sem consulta pública e aprovada por unanimidade por uma comissão formada exclusivamente por mim. Uma dessas soluções urbanísticas que não aprendemos na Faculdade. Aprendemos no dia a dia, caminhando e sentindo cada lugar por onde passamos. Só esqueci de considerar que certos trajetos, depois de percorridos muitas vezes, deixam de depender de mapa. A gente decora. Não os nomes das ruas, necessariamente, mas os acidentes do percurso. A esquina onde é preciso diminuir a velocidade. A avenida que parece levar ao centro, mas muda de direção sem aviso e me deixa completamente perdida. Essa cidade sempre teve um desenho urbano bastante particular. Seu traçado não obedecia a nenhuma ...
ARQUITETANDO ALINE MATTAR
Aline Mattar