Há quem atravesse a vida guiado pela lógica das coisas, pela solidez dos fatos e pela segurança daquilo que pode ser medido, calculado e compreendido. E há beleza nisso. Afinal, a arquitetura também nasce da precisão. Cada parede possui sua razão de existir, cada abertura dialoga com a luz, cada espaço responde a uma necessidade humana muito concreta. Mas nem tudo o que sustenta uma existência cabe em plantas, escalas ou cálculos estruturais. Existe um território silencioso onde habitam a música, a poesia, a fotografia, os sonhos e o amor. E, curiosamente, todas essas coisas obedecem a leis próprias, tão rigorosas quanto invisíveis. Uma canção sabe exatamente quando o silêncio deve falar. Um poema conhece o peso exato de cada palavra. Uma fotografia compreende que determinados instantes merecem permanecer. E o amor, talvez a mais complexa de todas as artes, insiste em construir moradas dentro de nós sem jamais consultar engenheiros ou cronogramas. Há também os sonhos. Esses antig...
ARQUITETANDO ALINE MATTAR
Aline Mattar