Chamar alguém de “socialista de iPhone” (dá até sono) não é um argumento — é uma piada pronta que se repete tanto que já perdeu até a graça. Funciona como uma buzina ideológica: faz barulho, chama atenção, mas não diz absolutamente nada (somente diz o quanto a ignorância ainda impera). A expressão tenta resolver um debate político complexo com a lógica de um fiscal de consumo alheio. Como se bastasse olhar o celular, o carro na garagem ou o assento no avião para emitir um laudo ideológico definitivo: “incoerente” . É confortável, rápido e dispensa qualquer esforço intelectual. Um sonho. O socialismo, em suas múltiplas correntes — aquelas que exigem leitura, algo sempre inconveniente — não propõe a renúncia ao conforto, à tecnologia ou a qualquer forma de bem-estar. Propõe oportunidades para que todos tenham acesso a bens de consumo dentro do sistema em que vivem. Ele critica as relações de produção , a concentração de riqueza, a exploração do trabalho e ...
ARQUITETANDO ALINE MATTAR
Aline Mattar