QUANDO SÓ REMEDIO CONTROLADO NÃO É O SUFICIENTE.
Tive uma cliente que parecia acreditar fielmente que eu vinha com um manual de risco conjugal anexado ao contrato. Na verdade, se eu soubesse o que estava por vir, teria incluído um adicional de insalubridade. Não era um projeto de arquitetura: era um protocolo de insegurança emocional, com cláusulas invisíveis e punições silenciosas. Desde o primeiro encontro, ficou claro que eu representava uma ameaça tácita — não ao orçamento, não ao cronograma, mas ao casamento. E isso justificava, aos olhos dela, um tratamento que oscilava entre a antipatia declarada, a grosseria e a falta de educação cotidiana cuidadosamente cultivada. Bom dia nunca era bom, respostas vinham sempre no modo econômico e qualquer tentativa de cordialidade minha era recebida como uma provocação pessoal. O marido, coitado, tornou-se uma espécie de figura mitológica: todo mundo falava dele, mas ele nunca podia estar no mesmo ambiente que eu. Se eu entrava pela por...






