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MEMÓRIAS PÓSTUMAS




Então...

Foi assim.

Como sempre, ele chega e desaba uma tonelada de informações na minha cabeça. 
Tudo parecia perfeito, pois eu olhava pra ele, e mexia a cabeça em sinal afirmativo (tipo Figurante da Belíssima em reunião de diretoria), mas na verdade eu estava em outra existência, pensando em qual cor de esmalte eu iria pintar as minha unhas.

Dormi de tanto tédio.
Foi inevitável.

Percebi que não precisava mais de um ser humano para esquentar meus pés.
Fui na Centauro e comprei umas meia ótimas. 
Mudas.

E eu não precisei mais acordar com câimbra no pescoço e encolhidinha no canto da cama como se tivesse disputando espaço  com um polvo carente.

Hoje eu acordei na minha cama.
Hoje eu acordei na diagonal, esparramada.
Hoje eu acordei deitada com a barriga para baixo e uma perna dobrada, como sempre gostei de dormir.


Eu sabia que daquele momento em diante tudo iria mudar.
E mudou.


Eu não precisava mais entrar no box todas as manhãs para resgatar minha escova de dentes, sequestradas e mantidas refém dentro do banho.

Eu não precisava mais arrancar a toalha molhada de cima da roupa seca - conceito claramente desconhecido pelo gênero masculino.

Eu não precisaria fechar o tubo de pasta de dentes, porque, surpreendentemente, ele agora permanece fechado sozinho.

Eu não precisaria sair descalça pela casa porque alguém na casa resolveu transformar os meus chinelos em um bem público.

Eu não precisaria mais ter que levantar e preparar o café.

Hoje fiz café de cafeteira, bem aguado, do jeito que eu gosto.
Hoje meu pé estava quentinho porque meus chinelos estavam no lugar.


Hoje, o único homem que apareceu foi o chaveiro pra trocar a fechadura.

Comentários

  1. HEHEHEHEHEHEHEHEHEH....MOÇA IMPAGÁVEL!!! PRECISO DIZER QUE TENHO INVEJA DESTE TEU EX AÍ. QUERIA SER ELE PRA TER PELO MENOS 1 DIA COM VOCÊ

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  2. Oi Aline,

    Muito prazer, meu Apelido é George Cloney, te mando meu telefone assim que você quiser...

    Beijos

    ResponderExcluir

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