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TUDO CERTO, NADA RESOLVIDO

 

Parecia que por um momento estava tudo certo.

Mas tudo o quê? Naquela altura do campeonato (e da vida) já nem tinha mais tanto assim para se acertar.
Então, tentaríamos acertar o passo. Não deu certo. Os passos já estavam num descompasso irreversível.


Então tentaríamos beber e esquecer tudo aquilo. Mas não tinha como.
Bêbados, não teríamos como impor limites para aquela sinfonia torta que tocava desde sempre.
De torto, já bastava aquela música. Não, não existia mais razão para tanta tortura.


Mas qual era mesmo a tal da tortura?
Não tinha como responder, uma vez que já não havia mais rítimo nem para dialogar. Muito menos pra cantar. 


Mas como pode um compasso errar seu giro, perder seu centro, e irremediavelmente, num ponto ou em outro, sair pela tangente (e se sair mesmo, eu, sozinha, perder o rumo?)
Tá, perdi o rumo e saí do prumo (e isso é uma rima ridícula, demasiadamente ridícula, por sinal).

Enquanto isso, atabalhoadamente, faço coisas que não faria para tentar resolver. Mas não resolvo.

Invado. Me perco e me assusto. (tipo assim, Becky Bloom, desesperada dentro da Barneys em Nova Iorque). E continuo não resolvendo nada.


E como sempre, por mais um instante parece que está tudo certo. (pra quem mesmo?)
E, mais uma vez, eu estava com o cérebro cheio de arabescos. Gigantes.
Feito por aquele mesmo compasso sem rítimo.
[enquanto isso... em algum lugar do universo feminino...] 
E mesmo assim, o céu estava azul, num azul raro.
O que piorava tudo. Tudo mesmo.

E a ponte de gelo estava ali. Atravessasse quem fosse corajoso o suficiente para pisar descalço.
Depos de tantos calos que ambos adquiriram com o tempo, estava difícil resolver. E o compasso não girava. (suas curvas já não estavam mais tão perfeitas).
Mas a virtualidade rolava solta, e eu, tola, achando que poderia resolver. Portanto, nada resolvido (mas estava tudo certo).


O macete é não se preocupar com o terreno, e simplesmente, fazer um progresso constante.
E aprumar o rítimo. Mas mesmo assim, nós não estávamos conseguindo. 
Para cada passo para frente, eram dois (ou três) para trás.


E, sendo assim, você ficou e eu fiquei.
Ninguém entrou, ninguém saiu.


Mas agora foi. Agora terminou. 
Está tudo certo.




E nada resolvido.


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